a psicanálise selvagem na selva da filosofia
Julho 26, 2008
E nesta selva, hoje, eu sou o Tarzan.
O que quer dizer conhece-te a ti mesmo? Para além de ser uma frase-chave na origem quer da filosofia quer da psicanálise, tem um significado: autonomia, o poder de ser independente. Será mesmo que ser racional é forma de ser independente? «A pergunta sobre a essência do homem não chega pela via correcta enquanto não nos distanciamos da prática mais antiga, persistente e ruinosa da metafísica europeia: definir o homem como animal racional.» (Pedro S.). O primeiro passo para a independência, que se manifesta fisiologicamente, dá-se na infância com o controlo dos esfíncteres. Depois segue-se um sem número de passos, fisiológicos e não só, ao longo do crescimento que irão definir, ou decidir, a independência de um. O controlo do esfíncter serve como distinção Homem/Animal. Os animais são diferentes entre si, mas esta afirmação não chega, temos de assegurar que o Homem (como humanidade) é diferente do animal e que continua assim. Ai de nós agora começar a defender que o Homem é um animal, mesmo depois de o considerarmos animal racional. Mas isto para aqueles que, como Martinho H., renunciam a biologia ou a zoologia como factores geradores, não faz sentido algum. Parece que nos esquecemos que «É do interior do corpo orgânico, transformado em corpo psíquico pelo sistema simbólico do mundo e da cultura, que eu digo eu.» (Isabel R.).
Quando Gabriel M. diz «eu sou o meu corpo», eu só posso responder-lhe que não é pelo controlo que se domina o outro – que neste caso é o seu próprio corpo. O corpo não te pertence pelo controlo. Teres um corpo não te vale de nada enquanto conscientemente não te libertares dele. Porque controlar é também poder descontrolar cada vez que se quiser.
Com isto, proponho uma reformulação do que é ser “homem racional” (já omitindo a parte animal). Só aquele que, conscientemente, conseguir perder o controlo do esfíncter pode ser considerado “homem racional”. Não promovo uma orgia encoprosiana, falo de perda voluntária de controlo. É o regresso ao fisio, bios e zoológico. Temos de parar de ver o corpo como um veículo que não precisamos de conhecer para tirar partido dele, que pensamos que dominamos. Mas como disse Fernando S. «vivemos presos no nosso cagar…».